Sou diabético. Não posso mais comer carboidratos?

8 de novembro de 2021

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, na diretriz de 2020, o consumo ideal de carboidratos pode variar de acordo com os objetivos e metas individualizados. Embora existam inúmeros estudos com diferentes proporções de carboidratos, ainda não é possível afirmar uma proporção específica desse nutriente para pessoas com diabetes e se essa proporção é diferente da população em geral. Vale destacar que a OMS não recomenda concentrações inferiores a 130 g/dia para adultos, por ser uma importante fonte de substrato energético cerebral e para outros processos metabólicos.

Como o carboidrato é o nutriente que exerce maior influência na variabilidade glicêmica pós-prandial, as evidências atuais sugerem que o tipo de carboidrato, independente da proporção, tem grande relevância. Isso porque carboidratos, quando consumidos na forma de açúcares ou amido, apresentam respostas diferentes daqueles consumidos prioritariamente com fibras, compostos bioativos, vitaminas, minerais e baixo teor de gorduras. Ou seja, o carboidrato que vem de doces e alimentos ricos em farinha tem uma resposta glicêmica diferente do carboidrato proveniente das frutas, legumes, cereais integrais e verduras.  

Além disso, a resposta pode ser mais lenta e menos exacerbada conforme a forma de consumo: ao comer um arroz branco acrescido de brócolis, por exemplo, você terá uma resposta glicêmica semelhante a do consumo de um arroz integral, ambos mais benéficos para o consumo glicêmico do que o consumo do arroz branco puro.

Qual a proporção ideal de carboidratos na alimentação do paciente diabético?

Embora não exista uma proporção fixada, a redução de carboidratos não deve ser tão acentuada a ponto de promover aumento no consumo de ácidos graxos saturados, como os presentes na gordura aparente da carne, em embutidos e produtos industrializados e nas frituras, já sabidamente relacionados ao aumento da prevalência de doença cardiovascular (DCV) nessa população.

O consumo reduzido de carboidratos, quando associado a gorduras monoinsaturadas, fibras e atividade física, trouxe resultados em relação ao perfil lipídico, à pressão arterial e perda de peso em pessoas com DM2. No entanto, o seguimento após 1 ano daqueles que cumpriram a dieta low carb (LC) ou baixa em carboidratos, versus a dieta normal nesse nutriente, não foi diferente, analisando especificamente o quanto as pessoas conseguem seguir por longo tempo a restrição de carboidratos.

Recentemente, foi publicado na revista Lancet um estudo com 15.428 pessoas, que comparou diferentes proporções de ingestão de carboidratos e risco de mortalidade. Foi feito um seguimento de 25 anos, e os achados foram que tanto altas quanto baixas porcentagens de carboidratos na dieta foram associadas a aumento da mortalidade, com risco mínimo observado em 50 a 55% da ingestão de carboidratos.

Por outro lado, o consumo de 15 g/dia de fibras foi associado positivamente ao controle do DM2. Diretrizes internacionais sobre diabetes lançadas nos últimos anos reforçam com alto grau de evidência (A) a importância da inclusão de cereais integrais como parte da alimentação diária.

diabetes carboidrato

Ou seja, o carboidrato não é proibido no paciente com diabetes. O tipo de carboidrato e as combinações podem ajudar no controle glicêmico. A  melhor estratégia nutricional é aquela que o paciente com diabete consegue seguir por toda a vida. Não existe uma única fórmula!

Consulte a Dra. Diana Ruffato e mantenha uma alimentação equilibrada

No tratamento nutricional do diabetes, os objetivos são manter uma alimentação variada com alta densidade nutricional, atingir/manter um peso saudável, normalizar a glicemia e prevenir as complicações provenientes da doença.

Mas, além disso, é fundamental traçar uma estratégia individualizada, considerando as preferências pessoais, culturais e religiosas do paciente, e garantir uma mudança de hábitos que seja duradoura e que mantenha o prazer pela comida. 

Para que isso seja possível, o apoio de um nutricionista é imprescindível. Agende uma consulta com a Dra. Diana Ruffato, especialista em nutrição hospitalar, e tire suas dúvidas.

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