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Receber o diagnóstico de artrite reumatoide costuma vir acompanhado de muitas dúvidas sobre alimentação. Entre elas, uma das mais frequentes é: quem tem artrite reumatoide pode comer ovo? Como esse alimento já foi associado, em diferentes momentos, ao colesterol, à inflamação e até a doenças autoimunes, muitas pessoas acabam retirando o ovo da alimentação por conta própria.
No entanto, as evidências científicas atuais não sustentam a necessidade de excluir o ovo da dieta de todos os pacientes com artrite reumatoide. Para a maioria das pessoas, ele pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, fornecendo proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais importantes para a manutenção da massa muscular e da saúde geral. O que realmente influencia o controle da inflamação é o padrão alimentar como um todo, e não um único alimento consumido isoladamente.
O ovo é um alimento naturalmente rico em proteínas de excelente qualidade, colina, vitaminas do complexo B, vitamina D, selênio e outros nutrientes essenciais. Apesar disso, durante muitos anos ele foi visto com desconfiança por conter colesterol na gema, o que levou à ideia de que também poderia favorecer processos inflamatórios.
Atualmente, essa relação não é confirmada pelas melhores evidências disponíveis. Estudos clínicos e revisões sistemáticas mostram que, em pessoas saudáveis e na maioria dos indivíduos com doenças crônicas, o consumo moderado de ovos não aumenta marcadores inflamatórios de forma consistente.
É importante lembrar que a inflamação presente na artrite reumatoide é consequência de uma resposta inadequada do sistema imunológico, influenciada por fatores genéticos, ambientais e metabólicos. A relação entre alimentação, doenças autoimunes e inflamação é complexa e não pode ser atribuída ao consumo isolado de um alimento. Não existe evidência de que o ovo seja capaz de desencadear esse processo em pessoas que não apresentam alergia ou intolerância específica.
Isso não significa que todos os pacientes tenham exatamente a mesma resposta alimentar. Algumas pessoas podem perceber piora de sintomas após determinados alimentos, mas essas situações devem ser avaliadas individualmente, evitando restrições sem comprovação.
Até o momento, nenhuma diretriz das principais sociedades de reumatologia recomenda retirar o ovo da alimentação de pacientes com artrite reumatoide.
As recomendações atuais concentram-se na adoção de padrões alimentares anti-inflamatórios, especialmente aqueles inspirados na dieta mediterrânea, rica em frutas, verduras, legumes, leguminosas, azeite de oliva, peixes e oleaginosas.
Nesses padrões alimentares, o ovo pode ser consumido normalmente, desde que inserido em uma dieta equilibrada.
Além disso, manter ingestão adequada de proteínas é particularmente importante para pessoas com artrite reumatoide. A inflamação crônica, associada à redução da atividade física durante períodos de dor, pode favorecer perda de massa muscular e redução da capacidade funcional.
O ovo representa uma fonte prática e acessível de proteína de alto valor biológico, podendo contribuir para atingir as necessidades proteicas diárias.
Outro ponto importante é que muitos pacientes utilizam corticoides por períodos prolongados. Nesses casos, preservar a massa muscular e a saúde óssea torna-se ainda mais relevante, reforçando a importância de uma alimentação nutricionalmente adequada.
Leia também: entenda como a intervenção nutricional na artrite reumatoide pode contribuir para a preservação da massa muscular, o controle da inflamação e a melhora da funcionalidade.
Assim como acontece com o ovo, diversos alimentos costumam ser associados à piora da artrite reumatoide sem que exista comprovação científica consistente.
Entre as dúvidas mais comuns estão:
Para a maior parte dos pacientes, nenhum desses alimentos precisa ser retirado preventivamente.
O leite, por exemplo, só deve ser excluído quando houver alergia às proteínas do leite ou intolerância à lactose sintomática. Da mesma forma, a retirada do glúten faz sentido apenas em pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten confirmada.
Já a carne vermelha pode fazer parte da alimentação, desde que consumida com moderação e dentro de um padrão alimentar equilibrado. O problema costuma estar muito mais no excesso de alimentos ultraprocessados, embutidos, bebidas açucaradas e gorduras de baixa qualidade do que no consumo eventual de carnes magras.
Em vez de criar listas extensas de alimentos proibidos, as diretrizes atuais priorizam o fortalecimento de hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis.
As melhores evidências mostram que o efeito anti-inflamatório da alimentação depende do conjunto das escolhas feitas diariamente. Uma alimentação capaz de modular respostas inflamatórias não se baseia em ingredientes milagrosos, mas na frequência, na variedade e na qualidade dos alimentos consumidos.
Um padrão alimentar equilibrado para pessoas com artrite reumatoide deve priorizar:
Ao mesmo tempo, recomenda-se reduzir o consumo de:
Esse padrão alimentar contribui para melhorar o perfil inflamatório, o controle do peso corporal e a saúde cardiovascular, aspectos particularmente importantes para pacientes com artrite reumatoide, que apresentam maior risco de doenças cardiovasculares quando comparados à população geral.
Na tentativa de controlar a doença, muitos pacientes acabam adotando restrições alimentares severas sem orientação profissional.
Entre os erros mais frequentes estão:
Essas estratégias podem aumentar o risco de deficiência nutricional, dificultar a adesão ao tratamento e gerar frustração por não produzirem os resultados esperados.
O objetivo do acompanhamento nutricional não é criar uma lista universal de proibições. A modulação da inflamação pela dieta deve considerar o estado nutricional, a composição corporal, os medicamentos utilizados, as preferências alimentares e os sintomas apresentados por cada paciente.
A alimentação deve complementar o tratamento medicamentoso e fisioterapêutico, nunca substituí-lo.
Quem tem artrite reumatoide pode comer ovo na maioria dos casos. Até o momento, não existem evidências científicas que justifiquem sua exclusão rotineira da alimentação de pacientes com essa doença.
Mais importante do que retirar um alimento específico é construir um padrão alimentar anti-inflamatório, rico em vegetais, frutas, leguminosas, peixes, azeite de oliva e proteínas de boa qualidade. Essa abordagem contribui para o controle da inflamação, preservação da massa muscular e melhora da qualidade de vida.
Caso exista suspeita de que determinado alimento esteja relacionado ao aparecimento de sintomas, a avaliação deve ser feita de forma individualizada, com acompanhamento médico e nutricional, evitando restrições desnecessárias e garantindo uma alimentação equilibrada.
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