Remédio para anemia: o que muda com acompanhamento nutricional
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A alimentação de quem já teve um infarto precisa ajudar a controlar os fatores que favorecem um novo evento cardiovascular. Isso inclui reduzir o colesterol LDL, manter a pressão arterial adequada, melhorar o controle da glicemia, cuidar do peso corporal e diminuir o consumo de sódio, açúcares e gorduras de baixa qualidade.
Uma tabela de alimentos para infartados pode facilitar as escolhas do dia a dia, mas não deve ser entendida como uma lista rígida de alimentos permitidos e proibidos. O mais importante é construir um padrão alimentar cardioprotetor, possível de manter a longo prazo e adaptado às necessidades clínicas, aos medicamentos e à rotina de cada paciente.
O infarto geralmente acontece quando uma artéria coronária é obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para uma parte do coração. Na maior parte dos casos, esse processo está relacionado à aterosclerose, caracterizada pela formação e instabilidade de placas nas paredes das artérias.
Depois do primeiro evento, o paciente passa a apresentar risco cardiovascular muito elevado. Por isso, controlar os fatores modificáveis deixa de ser apenas uma medida preventiva e passa a fazer parte do tratamento.
A alimentação atua diretamente sobre vários desses fatores. A substituição de gorduras saturadas por insaturadas pode ajudar no controle do LDL. A redução de sódio contribui para o manejo da pressão arterial, enquanto o aumento de fibras favorece a saciedade, o controle glicêmico e a saúde metabólica.
As recomendações da American Heart Association priorizam frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, peixes, proteínas pouco processadas e óleos vegetais, além da redução de sal, açúcares adicionados, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados.
Nesse contexto, a dieta mediterrânea é uma das referências mais utilizadas. Esse padrão valoriza alimentos vegetais, azeite de oliva, leguminosas, oleaginosas e peixes, sem depender de um único alimento considerado “protetor”.
A tabela abaixo reúne grupos alimentares que podem aparecer com maior frequência na rotina de quem já sofreu um infarto.
| Grupo | Alimentos para priorizar | Como incluir |
|---|---|---|
| Verduras e legumes | Folhas, tomate, cenoura, abobrinha, brócolis, berinjela, beterraba | No almoço, jantar, sopas, refogados e omeletes |
| Frutas | Maçã, laranja, mamão, morango, banana, pera, uva | Preferencialmente inteiras, com bagaço e sem açúcar |
| Leguminosas | Feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico | Diariamente ou em vários dias da semana |
| Cereais integrais | Aveia, arroz integral, quinoa, pães com farinha integral | Em substituição parcial ou total aos refinados |
| Peixes | Sardinha, salmão, atum, pescada | Assados, grelhados ou cozidos |
| Proteínas vegetais | Feijões, lentilha, tofu, grão-de-bico | Em refeições principais ou preparações |
| Oleaginosas | Castanhas, nozes, amêndoas | Em pequenas porções, sem excesso de sal |
| Gorduras insaturadas | Azeite de oliva, abacate, sementes | Para temperar ou complementar refeições |
| Laticínios | Iogurte natural, leite e queijos em porções adequadas | Preferir versões sem açúcar e moderar queijos salgados |
A presença de fibras é especialmente importante. Aveia, feijões, frutas e vegetais ajudam a melhorar a qualidade da alimentação e podem contribuir para o controle do colesterol e da glicemia.
A escolha das proteínas também merece atenção. Peixes, leguminosas, aves e cortes magros costumam ser opções mais interessantes do que embutidos ou carnes processadas. As orientações europeias de prevenção cardiovascular recomendam um padrão mais vegetal, com grãos integrais, frutas, verduras, leguminosas e oleaginosas, além da substituição de gorduras saturadas por insaturadas.
A palavra “evitar” não significa que uma pequena quantidade ocasional provocará outro infarto. O problema está na frequência, no tamanho das porções e no espaço que esses produtos ocupam na alimentação.
| Grupo | Alimentos que devem ser reduzidos | Por que merecem atenção |
|---|---|---|
| Carnes processadas | Linguiça, salsicha, salame, bacon, presunto | Concentram sódio, gordura saturada e aditivos |
| Frituras | Salgados fritos, batata frita, empanados | Aumentam a densidade calórica e a ingestão de gorduras |
| Ultraprocessados | Biscoitos, macarrão instantâneo, congelados, salgadinhos | Costumam reunir sódio, açúcares e gorduras de baixa qualidade |
| Bebidas açucaradas | Refrigerantes, néctares, chás prontos, energéticos | Favorecem ganho de peso, triglicerídeos e descontrole glicêmico |
| Doces frequentes | Bolos, chocolates, sobremesas, biscoitos recheados | Aumentam açúcares adicionados e calorias |
| Gorduras sólidas | Excesso de manteiga, banha, gordura vegetal | Podem elevar o consumo de gorduras saturadas e trans |
| Alimentos muito salgados | Temperos prontos, caldos, conservas, molhos industrializados | Dificultam o controle da pressão arterial |
| Álcool | Cerveja, vinho, destilados | Pode interferir na pressão, nos triglicerídeos e nos medicamentos |
Retirar apenas o sal de cozinha costuma ser insuficiente quando a rotina ainda inclui grande quantidade de embutidos, temperos prontos, queijos muito salgados e refeições industrializadas.
Da mesma forma, não faz sentido excluir toda gordura enquanto se mantém o consumo elevado de açúcar e farinhas refinadas. A saúde das artérias depende do conjunto da alimentação, incluindo a qualidade dos carboidratos consumidos.

Uma boa organização começa antes de montar o prato. Planejar as compras e deixar algumas preparações prontas reduz a dependência de alimentos industrializados nos dias mais corridos.
Uma estratégia prática é escolher duas ou três fontes de proteína para a semana, preparar feijão ou outra leguminosa, higienizar vegetais e deixar porções de legumes cozidos ou assados disponíveis.
No almoço e no jantar, uma estrutura simples pode incluir:
Nos lanches, frutas, iogurte natural, aveia e oleaginosas podem substituir biscoitos, salgados e doces. No café da manhã, ovos, frutas, pães com maior teor de fibras e laticínios sem açúcar ajudam a formar refeições mais completas.
Também é importante observar o modo de preparo. Assar, grelhar, cozinhar e refogar com pouca gordura costuma ser mais adequado do que fritar. Temperos naturais, como alho, cebola, ervas, limão e especiarias, ajudam a reduzir a dependência do sal.
A recomendação atual é olhar para o padrão alimentar, e não para nutrientes isolados. Uma alimentação cardioprotetora deve ser adaptável à cultura, ao orçamento e às preferências pessoais para que possa ser mantida após a alta hospitalar.
Depois de um infarto, o plano alimentar precisa considerar muito mais do que uma tabela geral. Colesterol, triglicerídeos, glicemia, pressão arterial, função renal, peso corporal, apetite e medicamentos interferem diretamente nas escolhas.
Pacientes que utilizam anticoagulantes, por exemplo, podem precisar de orientações específicas. Pessoas com diabetes exigem maior atenção à distribuição dos carboidratos. Já aquelas com insuficiência cardíaca podem necessitar de ajustes individualizados no sódio e, em alguns casos, na ingestão de líquidos.
O acompanhamento nutricional também ajuda a evitar restrições desnecessárias. Muitas pessoas saem do hospital com medo de comer e passam a eliminar grupos inteiros, reduzindo excessivamente as calorias ou as proteínas. Em outros casos, trocam alimentos comuns por produtos “fitness” que continuam ricos em sódio, açúcar ou gordura.

Além da alimentação, a reabilitação cardiovascular, o uso correto dos medicamentos, a prática de atividade física liberada pela equipe e a interrupção do tabagismo fazem parte da prevenção de novos eventos. As diretrizes europeias incluem a reabilitação cardíaca e o manejo intensivo dos fatores de risco entre os pilares do cuidado de pessoas com doença cardiovascular estabelecida.
A alimentação após um infarto não precisa ser sem sabor nem baseada em proibições. O objetivo é aumentar a presença de alimentos protetores, reduzir aqueles que agravam os fatores de risco e transformar as recomendações médicas em uma rotina possível.
Com orientação individualizada, é possível organizar refeições mais seguras, controlar melhor os exames e tornar a alimentação uma parte efetiva da recuperação e da prevenção de um novo evento cardiovascular.
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