Hepatopatias

Tratamento Nutricional para Hepatopatias

Divider Diana Ruffato Nutricionista

HepatopatiasO fígado é um órgão que tem capacidade de se regenerar desde que ele tenha de 10 a 20% de seu tecido saudável. Ele é responsável pelo metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras, pelo armazenamento e a ativação das vitaminas e minerais, pela formação e a excreção da bile, pela conversão da amônia em ureia pelo metabolismo de esteroides e pela filtração de metabolitos tóxicos, medicamentos e álcool.

 

As hepatopatias são o conjunto de doenças que podem comprometer a função hepática (do fígado). Dentre os conjuntos das doenças temos as hepatites agudas, como as causadas por vírus, como a hepatite A, B e C. Esses são casos de hepatites sem história prévia da doença e que ocorrem devido à exposição de algum fator como vírus e medicamentos.

 

Temos as hepatites crônicas que são quadros que acontecem a longo prazo, mais de 6 meses com comprometimento das funções hepáticas. No caso das hepatites crônicas há mudança no tecido hepático, com acúmulo de gordura no tecido, a famosa esteatose hepática. Esse quadro é reversível, mas se não tratado corretamente pode evoluir para cirrose hepática que não consegue mais ser revertido.

 

A esteatose hepática pode ser secundária a doenças crónicas que aumentam a resistência à insulina, como obesidade, diabetes e dislipidemias (problemas de aumento de colesterol e triglicérides). Dessa forma, o tratamento Nutricional para a reversão da esteatose está intimamente ligada a melhora dessas doenças crônicas e o componente nutricional nesses casos é o carro chefe para o tratamento da doença!

 

De acordo com o último consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia a dietoterapia para a esteatose deve ser baseada em uma dieta com quantidades moderadas de carboidratos, e baixa em gordura saturada e trans. Não se recomenda para esse caso dietas com restrições extremas de carboidratos.

 

Dieta para o tratamento da esteatose hepáticaUma revisão publicada na revista Nutrient em 2018 indica a dieta do mediterrâneo como a melhor alternativa para tratamento da esteatose hepática. Essa dieta é composta por:

 

  1. A base na alimentação deve ser de frutas, verduras e legumes, com ingestão bem alta desses alimentos em todas as refeições;
  2. Ingestão moderada de carboidratos na sua forma integral de preferência;
  3. Aumento na ingestão de carnes brancas principalmente peixes e proteínas de fonte vegetal como grão de bico, lentilha, feijão, ervilha;
  4. Aumento no consume de gorduras monoinsaturadas que estão no azeite, abacate e castanhas.

 

Essa é a base! Sem essas condutas não é possível ter resultados favoráveis. Se essa base estiver bem-feita alguns elementos podem auxiliar, mas lembrem-se, eles apenas auxiliam se os quatro pontos anteriores estiverem sendo seguidos!!!

 

Algumas coisas que auxiliam, mas não são determinantes:

 

  1. Resveratrol, presente no vinho tinto;
  2. Probióticos, ajudam a modular flora intestinal e dessa forma melhoram quadro inflamatório, encontrados em alguns iogurtes e sachês em farmácia;
  3. Cafeína: possui efeito antioxidante e anti-inflamatório;
  4. Colina: encontrada na gema do ovo, é um nutriente que faz parte do complexo B de vitaminas. Ele ajuda a fazer o transporte de VLDL colesterol.

Referências

 

MAHAM, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, nutrição e dietoterapia. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
PERDOMO, C.M; Frühbeck, G; ESCALADA, J. Impact of Nutritional Changes on Nonalcoholic Fatty Liver Disease. Nutrients, 11, 677; 2019.
COTRIM, H.P; PARISE, E.R; FIGUEIREDO-MENDES, C; GALIZZE-FILHO, J; PORTA, G; OLIVEIRA, C.P. Nonalcoholic Fatty Liver Disease Brazilian Society Of Hepatology Consensus. Arq Gastroenterol. V.53, N.2, p118-122,2016

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