Tratamento Nutricional no Alzheimer e nas Demências

Tratamento Nutricional no Alzheimer e nas Demências

Divider Diana Ruffato Nutricionista

Tratamento Nutricional no AlzheimerA demência é uma síndrome que pode ser definida como uma deterioração adquirida das capacidades cognitivas, que compromete a performance das atividades de vida diária. A maioria dos casos são de natureza crónica e progressiva e surgem após os 65 anos de idade.

Os tipos de demência mais comuns são a Doença de Alzheimer (DA) e a Demência Vascular, podendo ser coexistentes.

Diversos estudos sugerem que os fatores nutricionais, incluindo micro e macronutrientes, alimentos, bebidas e padrões alimentares, podem modificar o risco e atrasar a ocorrência de demência. Por outro lado, também têm sido estudados no âmbito do tratamento, quer no atraso da progressão da demência, de declínio e de comprometimento cognitivo, quer na melhoria da função cognitiva e dos sintomas.

Fatores de risco vascular

Divider Diana Ruffato Nutricionista

Os fatores de risco vascular incluem lesões cerebrovasculares, doenças cardiovasculares (CV), diabetes Mellitus tipo 2, hipercolesterolemia e hipertensão arterial na meia-idade. Em geral, a presença destes fatores duplica o risco de desenvolver demência. Alguns autores incluem ainda a hiperhomocisteinémia e a obesidade na meia-idade.

Papel da Nutrição e Alimentação

Divider Diana Ruffato Nutricionista

Os fatores protetores de doenças CV, como hábitos alimentares adequados, poderão estar associados a um menor risco de desenvolver DA e outras demências. Por outro lado, sugere-se que vários nutrientes e alimentos possam agir de uma forma mais direta, interferindo na capacidade de regeneração celular e nas vias patogénicas da demência.

Antioxidantes

As vitaminas E e C, o selénio e os flavonoides protegem de danos oxidativos que podem surgir como causa e/ou consequência da demência. Vários estudos mostram que estes fatores são potencialmente protetores na incidência de demência e que a sua obtenção na alimentação poderá ser preferível à suplementação.

Tratamento Nutricional no AlzheimerVitaminas do complexo B e Folato

A maioria das vitaminas do complexo B e o folato têm demonstrado associação com a saúde neuronal, intervindo nas suas vias metabólicas. Adicionalmente, o déficit destas vitaminas pode levar ao aumento da homocisteína plasmática. Diversos trabalhos mostram uma associação entre a ingestão de vitaminas do complexo B e um menor risco de demência; e que altos níveis de homocisteína e baixos níveis de vitamina B12 se associam a um maior risco de DA tal como para os antioxidantes, o seu papel no tratamento tem sido pouco estudado e com resultados conflituosos. A suplementação em ácido fólico (com ou sem vitamina B12) não estabilizou nem atrasou o declínio em doentes com DA. Não obstante, mais estudos são necessários nesta área.

Vitamina D

A vitamina D pode ser importante na proteção de doenças CV e na neuroproteção. Baixos níveis ou déficit de vitamina D têm sido associados a doenças cerebrovasculares e a um maior risco de demência.

Ácidos Graxos Essenciais

Os ácidos graxos ômega 3 (AGn-3) diminuem os níveis de colesterol sérico e inflamação sistémica, inibem a agregação plaquetária, e podem estar envolvidos nas vias vasculares, inflamatórias e amiloides da DA e da Demência Vascular. Diversos estudos observacionais sugerem um papel protetor dos AGn-3 na prevenção da demência. Suplementos de óleo de peixe, ácido docosahexaenóico (DHA) e ácido eicosapentaenóico (EPA) têm sido investigados, mas ainda não é claro qual a melhor fonte ou combinação.

Tratamento Nutricional no AlzheimerPeixe

Alguns estudos revelam uma associação entre o consumo de peixes e de óleo de peixe e um menor risco de demência e/ou DA devido a presença do ômega 3.

Hortofrutícolas

O consumo de vegetais, legumes e frutas tem sido associado a um menor risco e abrandamento do declínio cognitivo de demência e DA.

Bebidas com cafeína (café e chá)

Os potenciais efeitos protetores de bebidas com cafeína, especialmente café, também têm sido investigados mas ainda sem comprovação.

Bebidas alcoólicas

A ingestão baixa a moderada de bebidas alcoólicas, sobretudo de vinho, tem sido indicada como protetora do declínio cognitivo e de demência, em alguns trabalhos, mas a sua interpretação deve ser cautelosa. Inversamente, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas é prejudicial à saúde, aumentando o risco de demência. A sua recomendação a abstémios não tem justificação científica e indivíduos que possuem o hábito de consumir estas bebidas, não devem ultrapassar os limites da ingestão moderada (mulheres: 1 porção/dia e homens: 2 porções/dia).

Compostos naturais e outros alimentos

A huperzina A e a Ginkgo biloba têm demonstrado resultados positivos em alguns estudos em animais e/ou humanos na prevenção ou progressão da demência e melhorias cognitivas Para desenvolver recomendações, é necessário obter evidência consistente de benefícios e segurança assim como acautelar interações com fármacos.

Padrões alimentares

Diversos trabalhos têm investigado o efeito de padrões alimentares no declínio cognitivo e demência. Como possíveis protetores, destacam-se a Dieta Mediterrânica (DiMe) e a dieta MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay), uma combinação da DiMe e da DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Estudos epidemiológicos mostram evidência moderada relativa a uma associação entre a adesão à DiMe e um menor risco de demência, assim como a uma potencial diminuição do risco de progressão de síndromes pré-demenciais. A dieta ocidental, caracterizada por uma elevada ingestão de AG saturados, colesterol e açúcares refinados e uma reduzida ingestão de AG polinsaturados, foi associada a um maior risco de demência e de declínio cognitivo.

À exceção da Dieta do mediterraneo, ainda não há evidência consistente e clara de um papel protetor dos fatores nutricionais aqui abordados, sendo necessário mais investigação.

Os défices nutricionais devem ser tratados, sugerindo-se que intervenção nutricional na demência seja particularmente benéfica nestes casos. Atualmente, em idosos, existe uma elevada prevalência de patologias que são fatores de risco vascular, como a hipertensão arterial. Neste grupo etário também é alta a prevalência dos déficits de vitaminas do complexo B, vitamina D e antioxidantes. Dado o seu possível papel na demência, torna-se ainda mais pertinente assegurar um bom estado nutricional da população, prevenindo estados de défice e excesso.

Referência:

Cardoso sa, et al. Nutrição e alimentação na prevenção e terapêutica da demência. Acta portuguesa de nutrição 11 (2017) 30-34 | licença: cc-by-nc | http://dx.doi.org/10.21011/apn.2017.1105

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